sábado, 19 de outubro de 2013

2013: Ano do Centenário de Vinicius de Moraes!


teste
Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de outubro de 1913, Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes é um grande representante da poesia brasileira. Foi na infância que Vinicius escreveu seus primeiros versos, como um poema de amor escrito aos 9 anos, inspirado em uma colega de escola. Formou-se em direito no ano de 1933, ocasião onde lançou seu primeiro livro de poesias "O Caminho para a Distância". Ao longo de sua carreira foram publicados inúmeros poemas que fizeram deste  um dos poetas brasileiros mais reconhecido, por traduzir  em seus versos palavras o amor de uma maneira simples e bela.
Na Literatura Infantil produziu alguns poemas em meados de 1970, época em que começou parceria com Toquinho. O livro A Arca de Noé, traz 32 poemas infantis, a maioria sobre animais, neste livro estão inclusos os poemas que viraram músicas nos discos A Arca de Noé 1 e 2 muitas das músicas em parceria com Toquinho, canções que se tornaram clássicos das crianças até hoje.



O "poetinha", apelido atribuído pelo mestre Tom Jobim, deixou um legado à Literatura brasileira, suas obras encantam pela simplicidade, além de sua contribuição no teatro, no cinema e na música, com parcerias com Tom Jobim, Toquinho, entre outros. Faleceu em 9 de julho de 1980, porém esse acontecimentos não pôs fim à genialidade de sua obras! 


 

A casa 
Vinícius de Moraes


A ARCA DE NOÉ

Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
O sol, ao véu transparente

Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.

E abre-se a porta da Arca

De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Noé, o inventor da uva

E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.

Tão verde se alteia a serra

Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"

E sai levando a família

A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.

Ora vai, na porta aberta

De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.

E logo após, no buraco

De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.

Enquanto, entre as altas vigas

Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora as cabeças botam.

Grita uma arara, e se escuta

De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.

A Arca desconjuntada

Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.

Vai! Não vai! Quem vai primeiro?

As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.

Enquanto, em grande atropelo

Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pêlo
Pela terra prometida.

"Os bosques são todos meus!"

Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre - "Não!"

Afinal, e não sem custo

Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.

Os maiores vêm à frente

Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.

Conduzidos por Noé

Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista.

Na serra o arco-íris se esvai...

E... desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos

É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.
Pesquisa realizada por Elana Pereira e Gabrielle Frazão.


Nenhum comentário :

Postar um comentário